A coisa
março 2004
DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB
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março 01, 2004


Hoje esquivo-me


Sou um lenço branco a mergulhar na minha essência.
Um suspiro em forma de esboço...
Não estou aqui!!
Não estou em lugar algum que queira estar.
A minha única grandeza é esquivar-me...
Estou poisada no tecto de tantos tectos...
A ser o tecto do olhar...
Oculto-me, projecto-me...A bailar nas sombras.
Uma pincelada do que sou...
Só uma pincelada.
Finita, infinita a esquivar-se do que ninguém reparou.
Vivo no meu interior
que já é o interior que se esquiva, que se esquivará...
Que se vai esquivando.
E compreendo que estou aqui...
Que esquivo o que sou...
Mas não estou aqui!!
Nunca aqui estarei...
Estou ausente, repleta de uma ausência que chegou
Que na minha essência se abateu...
Desprendeu-se de mim e esvoaça...
Estranhamente...Não estou aqui...
Mas é aqui que estou.



Publicado por A_coisa em 10:55 PM | Comentar (0)

março 11, 2004


...


Palavras vagabundas...A pairar neste ar
Que é já o ar que me falta...
que me vai faltando.
Falta-me a paciência para tanto determinismo
faço vénias ao azedume que sinto, que vou sentindo.
Afundo o olhar no copo, no copo que rodopio entre os dedos...
Que vai rodopiando...
baloiço o copo, o meu ser baloiça-se , rodopiando entre o que sou...
Eo que baloiço...
sem que que ninguém entenda...Ninguém o pode entender...
Que estou a balançar, que vou balançando...
Aproxima-se uma nova vaga de conversas
sorrisos fingidos... a desmaiarem ridiculamente...
Em sonantes palavras.
Mantenho o olhar preso no copo que baloiço
Presumem que bebem o meu espirito.
E eu torno a baloiçar o copo...
E nada mais bebem que o baloiço...
O esplendor de baloiçar o copo...
A visão é atraida para o copo...
Para o liquido que radioso abana as convicções.
Falta-me o ar...O ar que me vai faltando...
Que de falta em falta...Falta.
Afirmo.. Nego o meu pensamento
O erro que produz novo erro.
A minha consciência só quer juizos verdadeiros
Ou que verdadeiros pretendem ser...
O que baloiço dá a ilusão
que defendo os meus interesses,mas não defendo...
Nunca os defendi...
Nem os interesses de terceiros, nem os meus...
Sou imparcial !
Mas o que baloiço...Ilude-lhes a visão.
Permito que o que baloiço coexista com o que não baloiço...
Eu sei o que sou, eu sei o que baloiço...
Quem não sabe é quem fica a ver-me rodopiar...
De olhar preso ao copo que baloiço
parcial de suspiros e ais.
Imparcial na critica...
Falta-me o ar do que deixo por criticar...
Critico os gestos, critico os sorrisos
critico a vontade que me falta de participar em mais uma festa...
Critico as expressões, critico os semblantes.
Falta-me o ar...
O ar que flutua entre o copo que avança devagar
e o que devagar vai flutuando.



Publicado por A_coisa em 08:44 PM | Comentar (0)

Que importa o que vejo?


Albergando pensamentos, descomunais, infernais, normais...
infames, avassaladores...
Deambulam por entre espaços...vagamente.
Aí estão eles...Guardados no reservatório.
Continuação, pausa..
Sacudo as mãos, mãos cheias de gritos...
o baú tingido do meu ser, sopra o som do que penso gritar...
Mas o que grito nunca chega a ter som.
Um grito no depósito da água do ser.
Que importa o que vejo? Se o que vejo não condiz com o que sinto?
Sinto um receio que deambula por todo o meu interior...
Albergando pensamentos descomunais, infernais...
O que vejo é a normalidade, nada mais que a normalidade posso ver...
Mais e a minha vista não alcança...
O que sinto deambula algures entre a continuação e a pausa...
E quando pensam que fiz uma pausa, continuei
E quando pensam que continuei, já fiz uma pausa.
Tarde...é tarde...Tão tarde.
Resta-me um segundo, um único segundo...
O próximo segundo nunca será meu, nem teu...Nem de ninguém.
O segundo pertence ao segundo.
Deambulo por estes espaços...
Vagamente, tão vagamente que só um segundo pode entender...
Aí está ele, o segundo....Pausa, continuação...
Guardado no reservatório dos segundos de vida.
Tens um segundo para definir um segundo.
Eterno segundo...Ou um segundo eterno...
Ternos, ternos são os segundos...
Que importa o que vejo?
Se o que vejo não é o que sinto...
E o que sinto não é o que vejo.



Publicado por A_coisa em 09:18 PM | Comentar (0)

março 13, 2004


Mais ou...Menos


Eles, elas são os normais...
Despertam nas madrugadas de sorriso estendido
Sorriem porque assim é esperado
Não se preocupam se o sol vai banhar os universos
Ou se alguém lhes afunda o sentir.
ou se a chuva lhes lava o passeio de que não viram...
Com a cortesia e a indiferença, fazem aliados...
Eles e elas os indiferentes...
Jamais serei indiferente...Não me peçam que seja indiferente
Não o posso ser, não consigo.
Eles, elas são os normais...
Não sentem a amargura, nem a querem sentir...
Não sentem a angústia de não entenderem um gesto
A armagura que conseguem sentir é sempre sobre os seus universos
O gesto que é sempre o deles é mais ou menos...
Não se perguntam se existe mais...
O mais ou menos é aquilo que vivem...
Eu não sou normal...Não consigo caber no meu universo
e refastelar-me entre o mais ou menos...
Ou é mais, ou é menos!
O mais ou menos é para eles e elas...
Os normais.
Não quero essa normalidade indiferente, não sou ele...
Não sou ela!
Sou eu.
O meu universo não se contenta com mais ou menos...
Ou é mais, ou é menos!
Eles e elas, os normais...Não se incomodam em se incomodar
Estranham porque me incomodo, estranham por me incomodar.
Eu incomodo-me se a noite sentida, deixa escapar um suspiro doloroso...
Se a brisa geme eu quero entender o seu gemido.
Não me incomoda que não se incomodem...
Incomoda-me que me incomodem por eu me incomodar.
Aceito a normalidade de elas e eles...
Que aceitem também que a minha normalidade é sentir assim.
Tenho momentos em que sinto mais, outros em que sinto menos...
Mas recuso sentir mais ou menos...
Que sentir é esse?
Eles, elas sentem mais ou menos, é tudo mais ou menos assim...
Acusam preplexidade do meu sentir...




Publicado por A_coisa em 11:05 PM | Comentar (0)

março 15, 2004


Eu nem penso...


O sol quebra o que de quebrado, quebrei
E nos raios mornos que não aquecem,
Quebro-me a contemplar.
Não sei donde vem o que chegou
Ao meu lado segue, este estremecimento…
Esta dor…
Não se aparta de mim, segue-me circundando-me.
Em cada esquina do meu ser, habita um sentir
Que nem sabe o que sente, mas vai sentido…
E esta dor, este vácuo sente o que sinto e mais o que me faz sentir.
E quebro, quebro entre tanto que nem sei que sinto…
E o que sinto nem quebrada se aparta.
E penso…Penso…
Eu penso? E se penso no que pensarei?
Não! Eu não penso!
Sou um produto daquilo que não pensa
Mesmo quando penso, já alguém o pensou antes de mim.
Não penso, penso que penso…
Mas não penso.
Para que quero eu pensar se posso sentir o que nem pensamento é?
Em tantas barcaças que se cruzam no meu pensar
Habita um pensamento que não pode pensar
Que se recusa a pensar.
Penso demais, ou demais quero pensar.
Mas não penso!
Pensar é sofrer, é aceitar que penso sem pensar…
Mas eu nem penso.
Na barcaça que se move nas ondas que me fazem navegar
Habita talvez um pensar que pesa no meu pesar.
Pesa e tanto que pesa este pensar que nem sei…
Se um dia acaba a naufragar no que sinto.
Eu nem penso…Não quero pensar!
Já tenho que lidar com o pensamento dos outros, que já foi o meu pensar…
Para que hei-de pensar o que já pensaram?



Publicado por A_coisa em 12:38 PM | Comentar (0)

março 16, 2004


Um passo


Labaredas de espaços…Em tantos paços que nem cruzei,
Que nem sei se vou cruzar.
Passos e mais passos de mim mesma, nesses paços que ainda nem cruzei
Oiço a minha melodia, se tenho melodia é esta…
Um passo no que passo…
E tornarei a passar sem nunca naquele paço eu passar.
Abro a minha vidraça melancólica do que passo
Quero negar veemente, quero renegar este passo!
Mais um passo e continuo no mesmo compasso.
Não me impressiona o que me pressiona
Mas sim aquilo que imprimo à pressão exterior.
Sou mais a minha própria fortaleza onde me deleito,
Que o que o meu ser deseja ser,
Do que aquilo que sou, que vou sendo…
Que um dia, quiçá, deixarei de ser.
Alheio-me, retiro-me, suspendo-me…
Negoceio a paz e o entendimento não me chega…
A essência do meu ser, nega uma paz negociada.
Um passo no que passo…
Supérflua a ser veemente e continuo irreverente…
A um passo de um erro tipográfico…
A só um passo de me encarar.
Deslizo suavemente pelo que passo…



Publicado por A_coisa em 11:02 AM | Comentar (0)

março 26, 2004


...


Mais uma reunião, mais um espaço...De coisas
Ascendentes, descendentes, o impluso superado pelo que reuni...
Insurgo-me contra a surdez do aparente
Eu, o entulho de coisas análogas...
Eu a coisa, refractada...
Hostilmente amparo as reuniões...
artificial, provocada...
Eu, o intervalo entre o que troco e o que torço...
Eu, o jogo de palavras.



Publicado por A_coisa em 01:44 AM | Comentar (0)